Fairycore , também conhecido como Fairy Folk, é uma estética fantasiosa que se concentra predominantemente em torno da mitologia das fadas. A primeira menção a fadas foi feita por Pompônio Mela durante o século I d.C. nascidas da mitologia céltica (anglo-saxões, germânicos e nórdicos).
A crença nestas criaturas míticas se disseminou no Ocidente com a criação dos contos de fadas pelos Irmãos Grimm e por Hans Christian Andersen. Podemos perceber representações dessa estética desde meados do período vitoriano, quando inúmeros balés, óperas, livros, poemas e pinturas foram gerados a partir dessa obsessão pelo “Fair Folk” que durou até a Segunda Guerra Mundial.
Com o pós-guerra e o realismo estóico presente nesses próximos anos tivemos uma queda nessas representações fantasiosas, que voltaram nos anos 80. Wendy Froud e Brian Froud, Charles Vess e Alan Lee foram artistas de enorme importância na cena, particularmente por sua influência na literatura e no cinema.
Autores como Neil Gaiman, Terri Windling, Emma Bull, Ellen Kushner e muitos outros revitalizaram o Fairycore levando-o para ambientes urbanos. No cinema alguns filmes conhecidos e importantes como Labirinto, O Cristal Encantado e A Lenda ajudaram a criar uma imagem para essas fadas.
O início dos anos 2000 trouxe Fairycore de volta, foram criadas a Faerie Magazine para reunir os amantes de fadas, sereias e outras criaturas relacionadas.Os programas infantis como Winx Club, Barbie in Fairytopia, Bratz Fashion Pixies e Tinkerbell/Pixie Hollow tiveram destaque e tornaram a imagem das fadas mais agradáveis e infantilizada.
Em 2019 já era possível observar influências da tendência em marcas como a Marchesa na coleção Spring 2019 (imagem acima na esquerda) e também em ensaios na revista Vogue (imagem acima na direita) que emularam o sentimento e ambiente presentes no fairycore para trazer algo mais adulto e sóbrio.
Muitos consideram a Anna Sui com sua coleção Spring Summer de 1997 como uma precursora ou trendsetter do fairycore na moda. A coleção trazia tecidos leves e com transparência com muito movimento. Mas o que concretizou o ‘feeling’ fairycore foram as asas de fada que a designer criou para adornar as costas das modelos.
Em 2022 a tendência ainda pode ser observada nos desfiles de moda, a marca australiana Zimmermann em sua coleção Resort 2021 e Spring 2022 trouxe cenários e peças que trazem o sentimento do fairycore para a moda contemporânea atual com silhuetas femininas e adornos delicados com motivos florais e cores vivas.
Dentre as tendências com similaridades, as principais a se mencionar são o Cottagecore e o Goblincore. A primeira é uma estética fundamentada na vida no campo, cercada por natureza e plantas. Existem algumas pessoas que dizem que a diferença entre as tendências é que o Cottagecore é um Fairycore sem a parte mágica ou até mesmo que o Fairycore é uma derivação do Cottagecore. Sendo assim, suas similaridades seriam o imaginário rurais rústicas, as criaturas da floresta, piqueniques e relação com as flores.
Por outro lado, o Goblincore trata de uma versão mais masculina do Cottagero. Baseando-se em goblins e gremlins, criaturas da fantasia, assim como as fadas do Cottagecore, mas sendo mais sujos e ásperos. Nesse caso, as semelhanças com a tendência estudada seria o apreço por objetos brilhantes, o carinho por animais do meio selvagem, interesse em jardinagem e na crença em criaturas fantásticas de contos de fada. Já dentro dos subgêneros do Fairycore, encontra-se o Dark Fairycore, o Mermaidcore e o Elfcore.
- Asas de fada. - Orelhas de elfo. - Joias cintilantes. - Maquiagem brilhante. - Roupas e detalhes em tons pastéis. - Chinelos, sapatos abertos ou nenhum sapato. - Hobbies relacionados à natureza, como piquenique. - Vestidos leves e fofos. - Cabelos soltos ou em penteados soltos, como coques frouxos - Unhas pintadas em pastel ou sem esmalte. - Luvas sem mangas. - Rendas e tecidos transparentes
- Arcos e fitas para cabelo. - Rendas e tecidos transparentes. - Cristais. - Jóias de ouro ou com cristais, como pedra da lua. - Espartilhos com vestidos leves e campestres. - Óculos com armação de arame. - Polainas.
O Fairycore é uma tendência difusa que possivelmente se originou pouco tempo depois do Cottagecore, quando apenas a volta para a natureza deixou de ser o suficiente e esse toque mágico se fez necessário. O primeiro marco dentro da criação do Fairycore foi um RPG (Role Playing Game) Dungeons & Dragons (1974), que incentivou os jogadores a se “fantasiarem” a caráter de seus personagens.
Além disso, outra forte influência no universo dos RPGs foi o Blue Rose (2004), inspirado na ficção fantasiosa de romancistas como Mercedes Lackey, Diane Duane e Tamora Pierce
O Fairycore é muito recente tendo sido observado por este nome em plataformas de busca no ano de 2019. No entanto, com a grande difusão de informações em redes sociais de maneira extremamente rápida, considerando que a tendência é atrativa a um público nichado, não é possível citar nomes de early adopters, mas teve origem no Tumblr e entre bandas indie.
A tendência mapeada está em estado de mainstream inicial, visto que está sendo disseminada e começando a alcançar os meios de comunicação de massa com suas manifestações. Por exemplo, sua presença já é notável nos varejos de nicho dentro da rede social Instagram, que conta com diversos e-commerces especializados em tipos de vestimenta Fairycore.
Retomando a popularidade do Fairycore no TikTok, pode-se mencionar uma de suas principais reinterpretações na rede social. Aqui, os conceitos da tendência são expandidos e aplicados para uma nova área: a literatura. A saga de livros Corte de Espinhos e Rosas, da autora estado-unidense Sarah J. Maas, tomam cenário em um universo fantasioso da realeza das fadas. Sendo assim, pessoas leigas, que não participam necessariamente da tendência, estão passando a se interessar cada vez mais em conteúdos acerca do assunto. Tanto que, atualmente, a #ACOTAR abrange vídeos com mais de 3,1 bilhões de visualizações no TikTok.
Projeto: Fairycore - Forecasting e Coolhunting
Orientador: Fernando Bakos
Pesquisa: Anita Hoppe, Ana Fritzen, Rafaela Barni e Vitor Mulazzani
Obrigada!